Costa Concordia: armador teria sabido de problema uma hora antes do abandono

Os mistérios e escândalos que têm caracterizado as várias etapas da tragédia do Costa Concórdia, e que têm incidido especialmente no comportamento «negligente» do seu comandante, ganham agora novos contornos.

A imprensa italiana tem erguido novas questões em torno do acidente na ilha de Giglio, na Toscânia. Os derradeiros relatos sugerem que a Costa, companhia de navegação detentora do Costa Concordia, saberia da existência de um problema no a bordo do cruzeiro cerca de 68 minutos antes de ser decretada a evacuação do navio.

Mas, como escreve o Corriere dell Serra, a companhia não terá procedido à evacuação atempada do navio para evitar um reembolso aos cerca de 4200 passageiros, que ficaria entitulados a uma indemnização caso se procedesse a uma evacuação desnecessária do navio.

Os rumores levantaram questões em Grosseto, local do julgamento de Francesco Schettino, o capitão do Costa Concordia. «Terá a empresa subestimado o problema devido à omissão de Schettino sobre o que estava realmente a acontecer?», foi uma das principais interrogações, a par de uma outra: «Os dirigentes da companhia de navegação decidiram não dar o alarme para evitar consequências económicas desastrosas para a empresa?».

O facto, recentemente apurado, é que o regulamento do navio aponta para a atribuição de nada mais, nada menos do que 10 mil euros a cada passageiro que tenha tido algum problema durante a viagem. E um eventual desembarque nocturno num local fora do destino final previsto, e com recurso a botes salva-vidas para evacuação, é um dos problemas consagrados.

Tendo em conta que havia cerca de 4 mil passageiros a bordo, uma evacuação – necessária ou não –, poderia implicar à companhia de navegação um pagamento superior a 30 milhões de euros.

A teoria avançada pelo diário italiano relembrou ainda um leque de informações que ainda estão por explicar.

Além do papel negligente do comandante e, ao que se suspeita, da empresa responsável pelo navio, persiste também a história da mulher de 25 anos, de origem moldava, que estaria a acompanhar Francesco Schettino e que não constava na lista de passageiros do navio.

Outro ponto a cimentar a polémica tem-se centrado nos telefonemas entre Schettino e o chefe da ‘unidade de crise’ da companhia de navegação, Roberto Ferrarin. Ao contrário do inicialmente avançado, os dois oficiais terão conversado telefonicamente não uma, não duas, mas três vezes no período de tempo que precedeu o incidente.

Fonte: http://sol.sapo.pt/inicio/Internacional/Interior.aspx?content_id=39302

 

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