PORTO DE ITAJAÍ | Berço 1 no limbo: até quando?

O texto a seguir foi originalmente publicado no blog Portuários, em 20 de fevereiro de 2012. Ainda que não esteja em concordância com a linha adotada no post, decidi repercuti-lo aqui porque trata de uma preocupação que eu também tenho: a recuperação do berço 1.

A enchente em setembro de 2011 causou avarias no cais construído pela APM (berço zero). Já se foram 5 meses e NADA foi feito… o berço continua interditado e a operadora está se valendo do contrato para utilizar o berço 3 em substituição (berço público).

Primeiro que o berço foi mal feito, com estacas de 30 metros, longe das estacas de 50 e 75 metros colocados nos dois berços reconstruídos pelo governo federal após a enchente de 2008.

Segundo que a empresa da a desculpa que o seguro ainda não foi liberado para a reconstrução do berço zero, mas o porto não pode parar, refaçam o berço e cobrem o seguro depois, na justiça se for o caso.

Terceiro que isso atrapalha as operações, por exemplo, antes quando um navio atracado no berço zero terminava suas operações com os STF’s (pontes), elas vinham em substituição aos MHC’s (guindastes) para agilizar a operação no berço 1.

E quarto, utilizando o berço 3 (público), a APM obstrui janelas de outros possíveis operadores interessados em escalarem navios em Itajaí, como os cargas gerais.

Sem falar que a empresa, não satisfeita, ainda utiliza o berço 4 (também público) como depósito de containers da Maersk, mas isso é assunto, com provas, para outra postagem.

Quanto a prefeitura ganha da APM para ajudar com esse monopólio? Até quando os portuários vão aceitar essa situação calados? Qual será o político “coco roxo” que fará uma intervenção nesse assunto?

Vai precisar o Lula voltar a Itajaí para arrumar o berço zero? Vamos precisar de uma intervenção federal no porto de Itajaí para resolver essas questões de uma vez por todas?

Quem viver verá.

É verdade que o berço 1 deveria ter contado com estaqueamento semelhante aos dos atuais berços 2 e 3. Contudo, não posso deixar de lado dois aspectos que considero importantes.

Primeiramente, estes dois berços só não seguiram o destino do primeiro porque o projeto básico deles, que se orientou pelas especificações utilizadas no “berço zero”, teve de ser aperfeiçoado após laudo do Instituto Militar de Engenharia de maio de 2009 mostrar que, se fossem construídos conforme aquele projeto, eles não suportariam uma cheia como a de 2008.

O segundo ponto que devo ressaltar é que não soube de uma só manifestação relevante que tenha chegado ao público sobre a profundidade das estacas do comprometido berço 1 enquanto ele estava sendo projetado ou construído.

Tudo é óbvio, desde que você saiba o resultado.

No mais, convém que a APM Terminals e a Autoridade Portuária mantenham o público informado da situação. A última informação pública a respeito do berço 1 surgiu na reunião do Conselho da Autoridade Portuária de 20 de janeiro e veio a meu conhecimento graças a uma postagem de Márcio Guapiano em seu Facebook, na qual ele reproduz uma página da ata daquela reunião. Ali, no item 1 dos “Assuntos Gerais”, pode-se ler o pedido de informações de Guapiano e a resposta de Walter Joos, superintendente da APM Terminals Itajaí.

Agora, é esperar a próxima sexta-feira e ver se teremos novidades.

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