COSTA CONCORDIA | Tribunal decide: Schettino não estava apto para o comando

A mais alta corte de apelação da Itália declarou nesta quarta-feira (16) que Francesco Schettino, comandante do navio Costa Concordia, naufragado em janeiro deste ano ao largo da ilha de Giglio, não estava em condições de comandar o cruzeiro.

A informação é da agência de notícias Reuters.

Em uma explanação escrita a respeito da decisão de manter Schettino em prisão domiciliar, a Corte di Cassazioni, cujo papel é semelhante ao do Superior Tribunal de Justiça brasileiro, afirmou que o marítimo demonstrou ter “pouca resiliência no desempenho de funções de comando ou no manejo da responsabilidade pela segurança de pessoas sob seus cuidados.”

A Corte declarou ainda que Schettino se mostrou incapaz de lidar com crises e de garantir a segurança de seus passageiros e tripulantes, e que haveria risco de uma repetição do desastre do Costa Concordia caso ele voltasse a comandar.

Esta parte da sentença foi o principal fundamento da decisão de manter Schettino detido em sua casa em Meta di Sorrento, próximo a Nápoles — era preciso demonstrar a existência de risco concreto de reincidência para que a prisão fosse mantida.

Schettino é acusado de ter causado o naufrágio do navio de 290 metros de comprimento ao aproximá-lo demasiadamente de terra. Os investigadores acusam-no também de retardar o abandono do navio e de deixar sem controle a operação, que envolveu mais de 4.200 pessoas.

No plano criminal, Schettino responde ainda por homicídio culposo múltiplo e por abandono prematuro de embarcação sob seu comando.

A decisão da Corte di Cassazioni pode ter sérias consequências para a estratégia dos armadores do navio, a norte-americana Carnival Lines (proprietária da Costa Crocieri), de atribuir toda a culpa do acidente ao comandante, especialmente nos processos em andamento nos Estados Unidos.

Se Schettino não deveria estar no comando, a decisão de guindá-lo até lá pode ser interpretada como um ato inseguro e fator contribuinte do naufrágio, no qual morreram 32 pessoas. Bastaria demonstrar que os executivos da Costa e da Carnival sabiam ou deveriam ter sabido da inaptitude de seu então oficial para comandar e assumir as responsabilidades consequentes — e ambas as empresas ficam mais perto da condição de réus do que da de vítimas de seu preposto e empregado.

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